Carência de vitaminas impacta saúde bucal?

Manter uma alimentação balanceada, sobretudo priorizando o consumo adequado de vitaminas, como a C, D, B12 e ferro, é uma recomendação recorrente de profissionais da saúde, inclusive para a garantia de uma boa saúde bucal. Ainda que outros fatores clínicos sejam importantes para avaliar precisamente problemas odontológicos, a exemplo da “língua lisa”, fissura nos cantos das bocas e, em alguns, inflamações gengivais, as deficiências nutricionais provocam alterações sistêmicas relevantes que condicionam a uma abordagem integral do paciente.
Isso porque a baixa presença de ferro e vitamina B12 no organismo, por exemplo, pode causar glossite atrófica (língua lisa e sensível) e queilite angular (conhecida como fissuras nos cantos da boca), o que tende a facilitar o sangramento na boca. “A deficiência de vitamina B12 pode causar queda das plaquetas e um dos sinais dessa redução é o sangramento gengival, já que as plaquetas são responsáveis pela coagulação no sangue. Além disso, a deficiência de vitamina B12 pode causar leucopenia que é a redução dos leucócitos, células de defesa e, dessa forma, o paciente pode apresentar maior risco a infecções”, explica a hematopediatra do IDOMED, Ilka Juliana.
A médica ainda ressalta que, em um contexto geral, a importância do acompanhamento dessas taxas perpassa apenas às questões que envolve a saúde bucal, pois o ferro baixo, por exemplo, causa anemia. “Este é o problema mais comum nas deficiências de ferro e vitamina B12 e, certamente, cada caso tem características peculiares”, pontua. Ela acrescenta que “com a reposição dessas vitaminas, o paciente começa a ter melhora dos sintomas em poucos dias”, destaca a hematopediatra.
Boa higiene ainda é a melhor forma de cuidado bucal
De acordo com o professor de Odontologia da Wyden, Guilherme Amaral, a American Academy of Periodontology (AAP) e a European Federation of Periodontology (EFP) apontam que a deficiência de vitamina C pode causar inflamações gengivais, bem como provoca fragilidade capilar. Além disso, ele observa que “a orientação clínica reconhece possíveis relações entre alimentação e condição periodontal”, pontua. Contudo, o docente explica que essa relação ainda é alvo de estudos dentro da área para melhor avaliação.
Em caso de sangramento gengival aparentemente inexplicado, o professor Guilherme orienta ser fundamental “considerar a realização de hemograma urgente, em um intervalo de até 48 horas, para investigar doenças hematológicas. Esse critério não deve ser confundido com o sangramento habitual de uma gengivite com causa local identificada”, destaca o dentista.
Como orientação geral, é fundamental manter uma rotina de higiene bucal saudável e ida ao dentista regularmente. Em caso de sangramentos ou deficiências nutricionais significativas, abordagens multidisciplinares são articuladas de acordo com as orientações médicas que se fizerem necessárias.













