Iniciativas na Pequena África podem inspirar outras regiões identitárias do Brasil

No Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lança o Concurso BNDES Pequena África. A iniciativa visa reunir ideias urbanísticas e arquitetônicas inovadoras para integrar marcos de relevância patrimonial, econômica e identitária, gerando bases para a transformação da região da Pequena África em um verdadeiro museu a céu aberto. O edital é voltado exclusivamente para equipes lideradas por arquitetos e urbanistas negros.

O evento de lançamento, nesta sexta-feira (21), no Teatro BNDES, no Rio de Janeiro-RJ, contará com a presença de autoridades e representantes da sociedade civil ligados à luta pela equidade racial. Pernambuco será representado pela advogada e sócia do escritório Pires Advogados, que atua no projeto Distrito Cultural, Sandra Pires. “A Pequena África é um dos mais importantes patrimônios culturais e históricos do Brasil. Valorizar a região significa reconhecer sua relevância, preservar sua história e promover iniciativas que fortaleçam sua identidade. É um compromisso com a memória, a cultura e a justiça social”, afirma Sandra.

A região da Pequena África fica no Centro do Rio de Janeiro, foi local de desembarque de africanos escravizados no Brasil e representa um dos mais importantes legados da cultura negra no país. Berço da ancestralidade africana, a área carrega memórias da resistência negra, do samba e de importantes marcos da diáspora africana, como o Cais do Valongo. Em um plano que vai além do concurso, o Consórcio Valongo Patrimônio Vivo implementou o projeto Distrito Cultural. A ação receberá investimentos de R$ 20 milhões, dos quais cerca de R$ 10 milhões já foram aportados pelo BNDES e o restante está sendo captado junto a doadores e instituições apoiadoras, para requalificação urbana, fortalecer instituições de memória e promover o desenvolvimento cultural e econômico local.

A advogada acredita que as iniciativas para a Pequena África podem servir de espelho para as mais diversas regiões identitárias do país. "É um exemplo de como políticas públicas e investimentos estratégicos podem valorizar e revitalizar regiões de forte identidade cultural e histórica. É possível transformar espaços urbanos sem descaracterizar sua memória e pertencimento. Esse modelo pode e deve ser replicado em outras regiões identitárias do Brasil, promovendo o reconhecimento da diversidade cultural do país e impulsionando o desenvolvimento social e econômico. Fortalecer essas áreas é fortalecer a história e a identidade do Brasil como um todo”, salienta Pires.

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